Murilo tinha apenas 11 anos, mas viveu de um jeito que muita gente leva uma vida inteira pra aprender. Um menino doce, cheio de carinho, apaixonado por videogame e querido por todos ao redor. Mas, cedo demais, precisou encarar uma das batalhas mais duras que existem: um câncer em fase terminal.
Quando veio o diagnóstico, os pais escolheram a verdade. Sentaram com ele em uma praça, com o coração apertado, e abriram tudo. E foi ali que Murilo, com uma maturidade que não cabe na idade que tinha, respondeu de um jeito que desmonta qualquer um:
“Vixe… e agora, quem vai cuidar de vocês?”
Mesmo diante da dor, ele foi gigante. Foram seis meses de luta, de coragem, de fé… e de um sorriso que nunca deixou de existir. Um sorriso que confortava mais do que pedia conforto.
Nos últimos momentos, fez um pedido simples, mas cheio de significado: queria ficar em casa, no seu quarto, cercado pelos brinquedos, assistindo Bob Esponja Calça Quadrada, como qualquer criança deveria poder estar.
E até perto do fim, Murilo ainda pensou nos outros. Escreveu uma carta para os colegas da escola, com palavras simples, mas cheias de amor, daquelas que ficam pra sempre. A despedida dói… e dói muito. Mas o que ele deixou é maior que qualquer dor: um legado de amor verdadeiro, de generosidade e de uma coragem que emociona e ensina. Murilo não foi só um menino. Foi luz. E luz dessas que nunca se apaga.
“Oi pessoal, tudo bem? Vim aqui me despedir porque vou fazer uma viagem, igual a uma excursão da escola. Mas dessa vez vou ficar lá, não vou voltar. Professora Sónia, te amo, obrigado por me ensinar. Pedro ensina a lição de matemática para a Ana, tá bom? Porque eu não posso mais ensinar ela. Eu amo todos vocês”, esta foi a carta escrita pelo pequeno Murilo, de apenas 11 anos, que não conseguiu vencer a luta contra o cancro e morreu no passado mês de janeiro
A mensagem de despedida do menino dirigida à professora e aos seus colegas de escola está a correr o mundo e a emocionar todos os que acabam por ler as palavras de Murilo. Pedro Chagas Freitas está entre aqueles que não conseguiram ficar indiferentes ao drama da criança brasileira.
“Foi com esta mensagem que Murilo se despediu da vida, dos que fizeram a vida dele. As lágrimas não param de cair ao ler isto, ao sentir isto. Não há como passar ileso por algo assim. Tinha onze anos. Onze, porra”, começa por dizer o escritor na sua conta de Instagram e prossegue: “Que cabra pode ser a vida. Temos de consumi-la todinha, temos de agradecer o abraço que ainda temos, a pele que ainda encostamos na nossa; temos de viver, de praticar, o privilégio de nada acontecer.”

Pedro Chagas Freitas prossegue: “Vão agora mesmo abraçar quem amam; se não podem, liguem, mandem mensagem, digam que amam, que são uns felizardos por terem quem amam nas vossas vidas. Contam os pais que quando lhe disseram que a sua doença o iria levar à morte em pouco tempo, a sua resposta foi esta: E agora: quem vai cuidar de vocês?”
