Catarina Albuquerque morre aos 54 anos — Portugal despede-se de uma voz incontornável dos direitos humanos
Portugal acordou em choque com a notícia da morte de Catarina Albuquerque, jurista portuguesa de referência internacional e uma das mais respeitadas defensoras dos direitos humanos da sua geração. Tinha 54 anos e faleceu de forma inesperada, na noite desta terça-feira, na sequência de uma doença súbita, deixando um vazio profundo no país e na comunidade internacional.

Reconhecida mundialmente pelo seu trabalho incansável na Organização das Nações Unidas, Catarina Albuquerque destacou-se sobretudo enquanto relatora especial da ONU para o direito à água potável e ao saneamento, função na qual deu voz a milhões de pessoas privadas de condições básicas de dignidade. O seu compromisso com a justiça social levou-a a percorrer vários continentes, denunciando desigualdades, pressionando governos e colocando o direito humano à água no centro da agenda internacional.
Ao longo da sua carreira, desempenhou também funções de enorme relevância, como presidente executiva da parceria global Saneamento e Água para Todos, vice-presidente da APAV e professora convidada em várias universidades nacionais e internacionais. O seu percurso foi amplamente distinguido, tendo recebido, entre outras honras, a Medalha de Ouro dos Direitos Humanos e a Ordem do Mérito, símbolos do reconhecimento pelo impacto duradouro do seu trabalho.
A notícia da sua partida gerou uma onda imediata de consternação e homenagem. Instituições, colegas, alunos e cidadãos anónimos recorreram às redes sociais para sublinhar a coragem, a clareza moral e a humanidade que sempre marcaram a sua atuação. Para muitos, Catarina Albuquerque não foi apenas uma jurista brilhante, mas uma consciência ativa que nunca se afastou das causas mais difíceis.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já reagiu à morte da antiga relatora da ONU, destacando o seu legado humano e cívico. Numa nota sentida, recordou-a como “uma mulher inspiradora, que lutou pela dignidade dos mais desfavorecidos e deixa uma marca inesquecível no país e no mundo”.
Catarina Albuquerque parte demasiado cedo, mas o seu trabalho, a sua voz e os valores que defendeu continuarão vivos. O seu legado ultrapassa fronteiras e gerações, lembrando que os direitos humanos não são abstratos — são uma urgência diária que exige coragem, persistência e compromisso.
