Silêncio que abala a corrida a Belém: Pedro Passos Coelho recusa apoiar António José Seguro ou André Ventura na segunda volta das presidenciais e deixa o país a interpretar uma ausência que pesa mais do que um apoio declarado

O silêncio que ecoa mais alto do que qualquer apoio. Em plena reta final para a segunda volta das eleições presidenciais, Pedro Passos Coelho decidiu virar costas ao jogo político e recusar qualquer alinhamento público com os dois candidatos que disputam Belém.

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Nem António José Seguro, nem André Ventura merecem, para já, uma palavra de apoio do antigo primeiro-ministro — uma decisão que está a gerar especulação intensa nos bastidores do poder.

Confrontado pela agência Lusa, Passos Coelho foi seco, direto e quase cortante:

“Não desejo fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais.”

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Uma frase curta, mas carregada de significado, que muitos interpretam como um gesto político em si mesmo. Num momento em que cada apoio pesa, cada silêncio é analisado ao detalhe — e este, vindo de um ex-líder do PSD e antigo chefe do Governo, não passou despercebido.

Desde o início do processo eleitoral, Pedro Passos Coelho optou por uma postura de total reserva, mantendo-se afastado dos debates, das campanhas e das declarações públicas. Agora, com o país dividido entre dois projetos políticos radicalmente distintos, o antigo primeiro-ministro reafirma a sua distância, recusando entrar num confronto que promete marcar profundamente o futuro político nacional.

Nos corredores partidários, multiplicam-se as leituras: haverá desconforto com ambos os candidatos? Uma estratégia calculada para preservar capital político? Ou simplesmente uma rutura silenciosa com o atual panorama presidencial? Oficialmente, não há respostas — apenas silêncio.

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A segunda volta das presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, será disputada entre António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista e vencedor da primeira volta com 31% dos votos, e André Ventura, líder do Chega, que alcançou 23% e se apresenta como o candidato mais polarizador da corrida a Belém.

Enquanto as sondagens apontam Seguro como favorito e o debate público aquece, Passos Coelho mantém-se à margem, imperturbável, recusando escolher lados. Num clima de tensão política crescente, a sua ausência de posicionamento transforma-se num elemento inesperado da equação — porque, em política, há silêncios que dizem mais do que mil discursos.