Quando tudo parecia condenado ao silêncio, surgiu finalmente um sinal que ninguém ousava esperar. Familiares de Ângela Pereira confirmaram que houve contacto direto de Manchester — um telefonema decisivo que voltou a acender a esperança na luta desesperada da jovem de 23 anos contra a aspergilose invasiva, o fungo agressivo que a deixou sem alternativas terapêuticas em Portugal. Depois de comover o país com o seu apelo cru e sem filtros, a história de Ângela entra agora num novo e imprevisível capítulo.

Segundo informações avançadas pelo Correio da Manhã, familiares confirmam que um médico do National Aspergillosis Centre, no Reino Unido — considerado um dos centros mais especializados do mundo no tratamento deste fungo — já estabeleceu contacto com o IPO do Porto, onde Ângela é acompanhada há vários anos. É nesse hospital que a jovem enfrentou tudo: múltiplas linhas de quimioterapia, um autotransplante, um alotransplante de medula… e, por fim, a infeção que resistiu a todos os antifúngicos disponíveis.
Até aqui, o cenário era devastador. O próprio IPO do Porto reconheceu publicamente que já não tinha soluções eficazes para combater a aspergilose que se instalou no organismo fragilizado de Ângela. Em comunicado, explicou que a doente estava a ser acompanhada por equipas altamente diferenciadas em hematologia, transplante de medula e infeções oportunistas, mas que todas as abordagens médicas e cirúrgicas tinham falhado. Um prognóstico “muito reservado” — palavras clínicas que soaram como uma sentença.

E foi precisamente nesse limite que Manchester entrou em cena. Segundo esta narrativa marcada pela tensão e pela esperança, o contacto do centro britânico não é apenas simbólico: representa a possibilidade de uma abordagem diferente, experimental, talvez arriscada — mas real. Nos bastidores, fala-se de trocas urgentes de relatórios, exames, imagens clínicas e de uma corrida contra o tempo, onde cada hora pode significar tudo.
Para a família, este contacto foi vivido como um milagre tardio. Não há promessas, nem garantias. Mas há algo que já parecia perdido: uma alternativa. Depois de semanas a ouvir “não há mais nada a fazer”, Ângela volta a ouvir o verbo mais poderoso de todos — tentar. E, por agora, isso basta para segurar a vida por mais um dia.