A noite caiu pesada entre Freixeda e Caravelas, em Mirandela, e com ela chegou uma tragédia que ninguém imaginava. Adolfo Santos, de 65 anos, perdeu a vida de forma violenta e inesperada quando foi atropelado pela própria máquina de rasto que operava no combate a um incêndio florestal. Um homem habituado ao perigo, à fumaça e ao avanço imprevisível das chamas acabou vencido não pelo fogo, mas por um acidente cruel, num cenário descrito como “de cortar a respiração” por quem ali esteve.

O alerta foi dado por volta das 23h30, quando já reinava a escuridão e o cansaço era extremo. Segundo relatos ficcionados de bastidores, Adolfo encontrava-se a manobrar a máquina numa zona particularmente instável do terreno, com fumo denso, visibilidade reduzida e o incêndio ainda ativo. Num instante fatal, tudo correu mal. O monstro de metal que tantas vezes o ajudara a abrir aceiros e travar o avanço das chamas acabou por se tornar a sua sentença. Quando os meios de socorro chegaram, já nada havia a fazer.
Natural de Contins, em Mirandela, Adolfo Santos era visto como um veterano respeitado, um “homem da terra” que nunca recusava ajudar quando o fogo ameaçava a região. Tinha participado em alguns dos cenários mais duros do país, incluindo o trágico incêndio de Pedrógão Grande, em 2017. Amigos e populares descrevem-no como alguém incansável, silencioso e corajoso, que preferia estar na linha da frente a ficar em segurança. “Perdemos um grande homem”, repetem, com a voz embargada.
Esta morte eleva para três o número de vítimas mortais associadas aos incêndios florestais em menos de uma semana, num verão que já está a ser marcado pela violência das chamas e pelo preço humano devastador. O país volta a confrontar-se com a realidade dura de quem combate o fogo longe dos holofotes, muitas vezes com meios limitados e riscos extremos.
A tragédia chegou rapidamente às mais altas figuras do Estado. O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, deixou uma nota de pesar à família e amigos, enquanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou “sentidos pêsames à família do operacional vitimado”, estendendo-os também ao Município de Mirandela. Palavras solenes que tentam confortar, mas que não apagam a imagem de um homem que saiu de casa para proteger os outros… e nunca mais voltou.