Um debate sobre corrupção entre Ventura, o “xerife” e “agitador-mor do Reino”, e Mendes, a “marioneta do Governo”

Luís Marques Mendes é um dos candidatos à Presidência da República para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa.

A um mês das próximas eleições presidenciais, marcadas para o dia 18 de janeiro do próximo ano, surge uma notícia desanimadora sobre Luís Marques Mendes, de 68 anos.

Một cuộc tranh luận về tham nhũng giữa Ventura, "cảnh sát trưởng" và "kẻ kích động chính của Vương quốc," và Mendes, "con rối của chính phủ" - Expresso

Nos últimos dias, o candidato, que tinha sido notícia por recusar esclarecer como ganhou 709 mil euros líquidos nos últimos dois anos enquanto “consultor externo” da Abreu Advogados, vê agora um revés gigante no que toca à sua candidatura

Um duelo sem tréguas sobre corrupção: Ventura contra Mendes num debate de acusações, rótulos e feridas abertas do sistema

Marques Mendes admite dar posse a Governo do Chega, mas só com garantias  escritas de respeito pela Constituição - oRegiões

O debate entre André Ventura e Luís Marques Mendes transformou-se rapidamente num dos confrontos políticos mais tensos desta pré-campanha, com a corrupção a servir de campo de batalha central — e com ambos a escolherem atacar mais do que explicar. De um lado, Ventura, habituado ao papel de acusador implacável do sistema; do outro, Marques Mendes, decidido a desmontar a narrativa do líder do Chega e a expô-lo como alguém que grita muito, mas propõe pouco.

Foi Luís Marques Mendes quem entrou primeiro ao ataque, escolhendo precisamente o tema que Ventura fez bandeira política ao longo dos últimos anos. O antigo líder do PSD acusou o adversário de viver permanentemente da acusação genérica, de dizer que “todos são corruptos”, mas de falhar quando chega o momento de apresentar soluções concretas. Para contrariar essa imagem, Mendes levou para o debate uma proposta clara: a convocação de um Conselho de Estado dedicado exclusivamente à Justiça e ao combate à corrupção, envolvendo o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Procurador-Geral da República e o diretor da Polícia Judiciária. O objetivo, explicou, seria criar um consenso institucional para reformas estruturais, em vez de alimentar a indignação sem consequências práticas.

Mendes đấu với Ventura: Tham nhũng là vấn đề chính trong cuộc tranh luận giữa "ứng cử viên cho chức Cảnh sát trưởng Cộng hòa" và "con rối của chính phủ" - Renascença

A resposta de André Ventura foi imediata — e cortante. O líder do Chega rejeitou a proposta como mais um gesto vazio do “sistema”, acusando Marques Mendes de ser apenas uma peça obediente do poder instalado. “Se acha que é um Conselho de Estado que vai resolver o problema da corrupção, então vai fazer exatamente o mesmo que todos os outros fizeram durante décadas”, atirou, num tom carregado de desdém. Para Ventura, a corrupção não se combate com reuniões nem com consensos entre elites, mas com ruturas profundas e punições exemplares.

O debate subiu de tom quando os ataques pessoais entraram em cena. Marques Mendes apelidou Ventura de “xerife da República” e “agitador-mor do reino”, acusando-o de viver do conflito permanente, da criação de inimigos e do caos político. Segundo Mendes, Ventura não quer resolver o problema da corrupção — quer explorá-lo politicamente, mantendo o país num estado constante de indignação.

Ventura devolveu o golpe com igual intensidade, chamando a Marques Mendes “marioneta do Governo” e acusando-o de defender os interesses das elites políticas e económicas que, na sua visão, capturaram o Estado. Para o líder do Chega, Mendes representa tudo aquilo contra o qual diz lutar: um comentador influente, próximo do poder, que fala de moralidade mas nunca esteve disposto a romper com o sistema que critica.

Ventura cáo buộc Marques Mendes có thành kiến.

Ao longo do confronto, ficou claro que não estava apenas em causa o combate à corrupção, mas duas visões radicalmente opostas da política. Mendes tentou posicionar-se como o candidato da institucionalidade, das reformas possíveis e do diálogo entre poderes. Ventura, fiel ao seu discurso, apresentou-se como o único disposto a enfrentar o sistema de frente, mesmo que isso implique choque permanente e isolamento político.

No final, o debate deixou menos respostas técnicas e mais linhas de fratura bem definidas. Para uns, Ventura confirmou o papel de provocador que prefere o ataque à construção. Para outros, Mendes simbolizou o discurso moderado que muitos associam à inércia do regime. Uma coisa é certa: o tema da corrupção continua a ser uma ferida aberta na democracia portuguesa — e este duelo mostrou que, longe de consenso, o caminho para a enfrentar promete ser tão conflituoso quanto o próprio debate político.