Manuela Moura Guedes voltou a lançar gasolina para o fogo ao revelar um episódio até agora desconhecido envolvendo José Sócrates e os bastidores do jornalismo político da TVI. A antiga pivô, afastada do canal após uma sucessão de reportagens incómodas para o então primeiro-ministro, garante que Sócrates tinha uma relação muito particular — e estrategicamente calculada — com algumas mulheres do meio mediático, incluindo jornalistas que acompanhavam de perto o poder político.

Segundo Moura Guedes, José Sócrates não se limitava a responder a perguntas ou a gerir crises através de assessores. Fazia questão de ligar pessoalmente para jornalistas, num gesto que misturava charme, controlo e sedução. “Ele ligava diretamente. Dava-se ao trabalho de ser ele a telefonar. Eles ficavam encantados”, contou ao jornal I. Mas a revelação mais explosiva surge quando afirma que o ex-primeiro-ministro chegou mesmo a convencer uma jornalista da TVI de que estava interessado nela. “Não vou dizer quem, mas lembro-me perfeitamente. Era uma jornalista da área da polícia”, afirmou, deixando no ar um clima de inquietação sobre os limites entre política, poder e intimidade.
Manuela Moura Guedes vai mais longe e contextualiza o comportamento com um episódio mediático internacional. Recordando o caso de Carla Bruni, a jornalista sugere que Sócrates terá visto ali uma oportunidade de replicar um certo estilo de sedução associada ao poder. “Quando foi o caso da Carla Bruni, ele deve ter pensado: ‘ora aqui está uma coisa boa’”, disse, acrescentando que o então primeiro-ministro “andou a fazer rapapés” a uma jornalista da TVI. “Ligava-lhe… Não é divertido?”, ironizou, num tom que mistura perplexidade e crítica mordaz. Moura Guedes não confirma se esse alegado interesse chegou a transformar-se numa relação, mas deixa claro que a situação existiu e era comentada nos bastidores.

Estas declarações surgem num momento particularmente sensível para José Sócrates, atualmente acusado pelo Ministério Público de 31 crimes no âmbito de vários processos judiciais. Nos últimos meses, têm vindo a público detalhes sobre a sua vida pessoal e relações íntimas, revelando um padrão que levanta questões éticas e morais. Recorde-se que, segundo a acusação, Sócrates terá sustentado durante quase sete anos Sandra dos Santos, uma mulher de origem cabo-verdiana residente na Suíça, com quem manteria encontros íntimos. As transferências, feitas através da conta bancária do amigo Carlos Santos Silva, terão somado cerca de 104 mil euros, a que se juntam viagens aéreas pagas entre os dois países.
Mais recentemente, o semanário Sol revelou que José Sócrates não terá sido o único português a enviar dinheiro a Sandra dos Santos, sugerindo uma teia de relações ainda mais complexa, que envolveria também a sua amiga e colaboradora próxima, Lígia Correia. Cada nova revelação contribui para um retrato cada vez mais controverso do antigo governante, onde o exercício do poder político parece confundir-se perigosamente com influência pessoal, sedução e jogos de bastidores.

As palavras de Manuela Moura Guedes não são apenas uma memória do passado: são mais um capítulo incómodo numa história que continua longe de estar encerrada — e que volta a expor as zonas cinzentas entre política, media e poder pessoal.