André Ventura volta ao ataque e desmonta as trapalhadas de Pedro Nuno Santos

 

Debate televisivo revela clivagem profunda na justiça, saúde e economia. Os líderes Pedro Nuno Santos e André Ventura confrontaram-se esta noite num debate acalorado, onde a operação na Madeira e a eficácia do sistema judicial dominaram os primeiros momentos. A troca de acusações rapidamente se alastrou às áreas da saúde, fiscalidade e habitação, expondo visões antagónicas para o país.

O secretário-geral socialista defendeu que a justiça “está a funcionar”, citando o aumento de processos investigados como prova da sua eficácia. Reagindo à libertação dos três arguidos na Madeira, Santos afirmou que o caso “preocupa”, mas enfatizou o “respeito absoluto” pelas decisões judiciais. Sublinhou as medidas legislativas aprovadas pelo PS, incluindo o pacote anticorrupção de 2021.

André Ventura contra-atacou, classificando a justiça portuguesa como morosa e ineficaz no combate à corrupção. “Se a justiça estivesse a funcionar bem, não continuávamos a ter muita desta corrupção”, afirmou. Criticou a “enxurrada de recursos” que, na sua opinião, protege os mais ricos e atrasa decisões, prometendo limitar estes mecanismos para uma justiça mais célere.

O debate intensificou-se quando o tema se centrou no confisco de bens. Ventura acusou o PS de nunca ter a “coragem” de aprovar uma reforma que permita a apreensão preventiva de ativos. “O grande desafio era o confisco e a apreensão dos bens, para que os ricardos salgados desta vida não continuem nos seus palácios”, declarou.

Pedro Nuno Santos rejeitou a crítica, argumentando que o arresto preventivo e o confisco já existem na lei portuguesa. “O Chega não traz nada de novo… quer fazer de conta que combate a corrupção e apresenta soluções que já existem”, retorquiu, defendendo que a prioridade é dotar as autoridades de meios, não alterar leis já existentes.

A discussão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi particularmente incisiva. Pedro Nuno Santos referiu a necessidade de encontrar “estímulos” para que os médicos formados no SNS cumpram “algum tempo mínimo” no sistema público, garantindo que qualquer medida será negociada.

Pedro Nuno Santos espera que André Ventura "recupere rápido" — DNOTICIAS.PT

André Ventura ridicularizou a proposta, chamando-lhe “stalinista” e acusando o candidato socialista de improviso. “A ideia era amarrar mesmo os médicos ao Serviço Nacional de Saúde, querendo eles ou não”, afirmou. Defendeu como solução incentivos salariais, pagamento de horas extraordinárias e um aumento significativo das vagas nos cursos de medicina.

O socialista contra-atacou, alertando que as propostas do Chega significam “desviar recursos do SNS para os negócios privados da saúde”. “Na hora da verdade… é ao Serviço Nacional de Saúde que [os portugueses] vão”, afirmou, defendendo um SNS forte como pilar do Estado Social.

"É uma ameaça...": André Ventura responde a Pedro Nuno Santos

A temática económica e fiscal abriu outro flanco de confronto. André Ventura defendeu o programa do seu partido de baixas de impostos e aumentos de pensões, afirmando que o financiamento está no combate ao “desperdício” de “3.000 milhões” no Ministério da Saúde e na economia paralela.

Pedro Nuno Santos classificou o programa do Chega como “irresponsável financeiramente” e “irrealizável”. “Cobardia é apresentar propostas que não são realizáveis, que mentem, que enganam as pessoas”, acusou. Apresentou as medidas socialistas, como a redução do IRS para trabalhadores e a devolução de IVA a famílias com baixos rendimentos, como alternativas realistas.

No capítulo da habitação, o histórico de Pedro Nuno Santos como ministro foi posto em causa. Ventura acusou-o de ser o “grande responsável” pela crise, apresentando dados que indicam a “mais baixa construção do século” durante o seu mandato. “Quais são as suas soluções para a habitação? Foi ministro da Habitação”, questionou.

O líder socialista enumerou as medidas do seu governo, como o fim dos vistos gold e as restrições ao alojamento local, afirmando que já estão a produzir resultados. Prometeu alargar programas de apoio, criar uma garantia pública para jovens e proteger famílias em incumprimento.

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O debate terminou com um momento de tensão máxima, quando Pedro Nuno Santos desafiou André Ventura a revelar quem lhe terá dado uma “garantia total” de que integraria um governo de direita. “Era importante que André Ventura tivesse a coragem… de dizer quem é que lhe deu a garantia”, insistiu.

Ventura recusou-se a responder diretamente. “Você não é de direita nem é interlocutor”, afirmou, dirigindo-se a Santos. “A minha preocupação e dos que estão em casa… é a luta contra a corrupção, é luta por salários mais altos”, concluiu, desviando o foco da questão colocada.

O confronto, transmitido em simultâneo pela TVI e pela CNN Portugal, destacou-se pelo tom agressivo e pelas acusações pessoais, refletindo uma campanha eleitoral particularmente polarizada. As visões sobre o funcionamento do Estado, o modelo de saúde e a política económica apresentadas pelos dois candidatos mostram caminhos profundamente divergentes para a legislatura que se avizinha.