A tragédia foi brutal, inesperada e devastadora. Paula Macedo, uma das figuras mais respeitadas da RTP e um nome histórico da televisão portuguesa, morreu de forma absolutamente trágica, aos 62 anos, deixando o país em choque e o mundo da comunicação mergulhado num luto profundo.

Realizadora de excelência, Paula Macedo ficará para sempre ligada a um marco inesquecível: foi a Diretora de Multicâmara do Festival Eurovisão da Canção 2018, realizado em Portugal após a vitória de Salvador Sobral. Foi também a primeira mulher a assumir essa responsabilidade num evento desta dimensão — um feito pioneiro que a tornou uma referência incontornável, admirada pelo talento, rigor e coragem num meio exigente.
A morte ocorreu na quarta-feira, 30 de abril, na sua casa, na Ericeira, num cenário digno de um pesadelo. Segundo as primeiras informações, um incêndio terá começado na garagem da habitação e alastrado rapidamente. Vizinhos tentaram desesperadamente ajudar, os bombeiros foram acionados de imediato, mas nada foi suficiente. Paula Macedo não conseguiu escapar. O fogo venceu.

Além da realizadora, o incêndio deixou ainda quatro feridos — três civis e uma bombeira — o que reforça a violência da ocorrência e o clima de caos vivido naquele momento. A RTP confirmou a morte nos seus espaços informativos e, desde então, as homenagens multiplicam-se, vindas de jornalistas, técnicos, realizadores e colegas que com ela trabalharam durante décadas.
Entre as mensagens mais emocionadas está a de Tânia Ribas de Oliveira, amiga próxima, que usou as redes sociais para um adeus dilacerante. “Hoje perdi uma amiga. Hoje perdemos todos a Paulinha”, escreveu, num texto carregado de dor, memória e amor. Falou da gargalhada inconfundível, da luz que irradiava, da energia contagiante, das reuniões barulhentas, das conversas ao ouvido, dos “disparates maravilhosos” que faziam parte do quotidiano.

“Não tenho capacidade hoje… o meu coração chora”, confessou Tânia, numa despedida que muitos descrevem como uma das mais comoventes alguma vez escritas por uma figura pública da RTP. Uma mensagem que não é apenas pessoal — é coletiva. “Esta mensagem é de todos nós para ti”, concluiu.
Paula Macedo não era apenas uma profissional brilhante. Era presença, riso, humanidade e paixão pela televisão. A sua morte deixa um vazio imenso, impossível de preencher, e uma pergunta cruel que ecoa nos corredores da RTP: como seguir em frente sem ela?