
As 40 pessoas, incluindo uma portuguesa, que morreram no incĂȘndio num bar na estĂąncia de esqui suĂça de Crans-Montana na noite de Ano Novo, estĂŁo todas identificadas, anunciou este domingo a polĂcia do cantĂŁo do Valais. HĂĄ vĂĄrios adolescentes entre as vĂtimas mortais.
O Governo portuguĂȘs confirmou e lamentou este domingo a morte de uma cidadĂŁ portuguesa no trĂĄgico incĂȘndio que na noite de Ano Novo fez 40 mortos e mais de uma centena de feridos.
âO MinistĂ©rio dos NegĂłcios Estrangeiros confirma e lamenta profundamente a morte da cidadĂŁ de nacionalidade portuguesa, Fany Pinheiro MagalhĂŁes, que estava desaparecida na sequĂȘncia da tragĂ©dia ocorrida em Crans-Montana, na SuĂça. Quer as autoridades suĂças, quer o Estado portuguĂȘs jĂĄ apresentaram condolĂȘncias Ă famĂliaâ, indicou o executivo num curto comunicado.
Fany Magalhães, de 22 anos, professora e natural de Santa Maria da Feira, tinha sido inicialmente dada como desaparecida.
Em nota publicada no site da presidĂȘncia, o presidente da RepĂșblica lamentou a morte da jovem. Segundo o DN, Marcelo Rebelo de Sousa, falou na manhĂŁ deste domingo ao telefone com o irmĂŁo de Fany Pinheiro MagalhĂŁes, âa quem apresentou condolĂȘncias e solidariedade nacionalâ.
TambĂ©m o primeiro-ministro, LuĂs Montenegro, lamentou, numa publicação no X, a morte da jovem professora. âRecebi com pesar a notĂcia da morte da cidadĂŁ de nacionalidade portuguesa, Fany Pinheiro MagalhĂŁes, que estava desaparecida na sequĂȘncia da tragĂ©dia ocorrida em Crans Montana, na SuĂçaâ.
âDeixo Ă famĂlia, amigos e a toda a comunidade portuguesa na SuĂça um abraço de profunda solidariedade e as nossas condolĂȘnciasâ, escreveu o primeiro-ministro.
AlĂ©m da cidadĂŁ portuguesa, a polĂcia suĂça identificou entre as vĂtimas mortais 21 suĂços, 9 franceses, incluindo um franco-suĂço, uma pessoa com tripla nacionalidade França/Israel/Reino Unido, 6 italianos, incluindo um italo-emiradense, uma belga, um romeno e um turco.
As vĂtimas mortais tĂȘm entre 14 e 39 anos, sendo 21 delas menores, segundo a informação oficial. EstĂŁo ainda por identificar seis dos 119 feridos, cuja identidade as autoridades ainda nĂŁo conseguiram estabelecer.
Segundo as autoridades federais suĂças, 35 feridos, com queimaduras extensas e graves, foram transferidos para hospitais em França, BĂ©lgica, Alemanha e ItĂĄlia.
Entre as Ășltimas vĂtimas identificadas estavam duas raparigas suĂças de 15 anos, uma mulher suĂça de 22 anos, uma mulher suĂça e uma francesa de 24, duas raparigas italianas de 16 e 15 anos, um rapaz italiano de 16, uma belga de 17 anos, duas francesas de 33 e 26, dois franceses de 23 e 20, dois adolescentes franceses de 17 e 14, e uma rapariga de 15 anos com nacionalidade francesa, britĂąnica e israelita, informaram as autoridades

Em Crans-Montana, centenas de pessoas assistiram a uma missa no exterior da lotada capela de SĂŁo CristĂłvĂŁo de Crans, numa de muitas homenagens prestadas hoje Ă s vĂtimas do incĂȘndio no bar, onde festejavam a noite de Ano Novo.
Charlotte Niddam, de 15 anos, antiga aluna do Immanuel College em Hertfordshire, foi uma das Ășltimas 16 vĂtimas a ser identificada. Tal como Fany MagalhĂŁes, tinha inicialmente sido dada como desaparecida, diz o The Guardian.
A famĂlia partilhou este domingo, nas redes sociais: âĂ com enorme tristeza que anunciamos o falecimento da nossa querida filha e irmĂŁ, Charlotte.â
A mĂŁe de Arthur Brodard, um jovem suĂço de 16 anos, confirmou que o filho estava entre as vĂtimas mortais. âO nosso Arthur partiu para ir festejar no cĂ©uâ, escreveu Laetitia Brodard-Sitre na sua pĂĄgina do Facebook. âAgora podemos começar o nosso luto, sabendo que estĂĄ em paz.â
ApĂłs uma cerimĂłnia na Capela St-Christophe, a multidĂŁo saiu em silĂȘncio ao som do ĂłrgĂŁo. Alguns abraçaram-se, outros aplaudiram antes de seguirem em marcha silenciosa atĂ© ao bar Le Constellation. conta o jornal britĂąnico.
O cortejo, denso, avançou sob um sol luminoso, passando por lojas encerradas. Um fluxo contĂnuo de pessoas depositou ramos de flores junto a um memorial improvisado, repleto de flores, peluches e outras homenagens.
O aplauso propagou-se de um extremo ao outro do cortejo quando dezenas de polĂcias e elementos dos serviços de emergĂȘncia passaram pelo meio da multidĂŁo, sendo celebrados como herĂłis.
âPerante este acontecimento trĂĄgico, acredito que devemos lembrar-nos de que somos todos irmĂŁos e irmĂŁs na humanidadeâ, disse VĂ©ronique Barras, residente local e amiga de algumas famĂlias enlutadas. âĂ importante apoiarmo-nos, abraçarmo-nos e avançar em direção Ă luzâ.

