Eram 3h40 da madrugada quando o silêncio da cidade foi rasgado por um estrondo seco e, segundos depois, por uma coluna de fogo visível a centenas de metros. Um agente da PSP destacado para a segurança da Embaixada dos Estados Unidos foi o primeiro a assistir à cena: um BMW em alta velocidade perdeu o controlo, embateu violentamente no lancil da Avenida das Forças Armadas e foi projetado para debaixo do Eixo Norte-Sul. Em poucos instantes, o carro transformou-se numa armadilha mortal em chamas.

Quando os primeiros meios de socorro chegaram, já nada havia a fazer. O fogo consumia totalmente a viatura, enquanto no interior permaneciam seis jovens, presos, sem qualquer hipótese de fuga. Ao amanhecer, a confirmação devastadora: três rapazes e três raparigas morreram carbonizados, presumivelmente amigos que regressavam juntos de uma noite que acabou em tragédia absoluta. A imagem do BMW reduzido a ferro retorcido deixou até os mais experientes socorristas em estado de choque.
O balanço foi confirmado no local pelo comissário Dinarte Diniz, da PSP, que revelou que apenas dois dos ocupantes — o condutor e o passageiro da frente — tinham sido identificados até ao início da tarde, ambos com idades “entre os 19 e os 20 anos”. Segundo fontes no local, o impacto foi tão violento que não foi possível determinar de imediato se as vítimas morreram com o embate ou já engolidas pelas chamas, num cenário descrito como “absolutamente dantesco”.

De acordo com a reconstrução inicial, o veículo seguia em direção a Sete Rios quando perdeu estabilidade, bateu no separador e foi lançado vários metros, acabando imobilizado numa zona de parqueamento sob o Eixo Norte-Sul. Em segundos, o combustível incendiou-se. Algumas testemunhas falam em explosões sucessivas e gritos abafados, versões que ainda não foram confirmadas oficialmente, mas que aumentam o peso trágico do caso.
A PSP afastou, para já, a hipótese de condução sob efeito de álcool, mas as causas exatas do despiste permanecem envoltas em mistério. A Brigada de Investigação de Acidentes de Viação, em articulação com o Ministério Público, abriu um inquérito urgente. Imagens de videovigilância da zona já estão a ser recolhidas e preservadas, podendo revelar detalhes cruciais sobre os segundos finais antes do impacto.
Lisboa acordou em choque. Seis vidas jovens perderam-se numa fração de segundo, deixando famílias devastadas e uma cidade inteira a perguntar-se como uma noite comum terminou numa das mais violentas tragédias rodoviárias dos últimos anos.