Segredo, Queda e Silêncio: O Processo Oculto de Marco Caneira, a Condenação Que Abalou Uma Família Inteira e o Julgamento Que Ele Nunca Enfrentou de Frente

A condenação caiu como um trovão tardio, mas devastador. Marco Caneira, de 38 anos, empresário musical e filho da cantora Ágata, foi condenado a seis anos e meio de prisão efetiva por crimes sexuais contra uma menor de 14 anos — um desfecho judicial que revelou não apenas a gravidade do caso, mas também um rasto de silêncio e ocultação que se estendeu para dentro da própria família.

De acordo com o relatório social junto aos autos, Marco Caneira atravessa “um período de destabilização emocional” relacionado com o processo, mantido em segredo da mulher e da filha. A revelação chocou até os mais próximos: o arguido terá escondido o processo-crime de quase todos os familiares, construindo uma vida paralela enquanto o caso avançava nos tribunais. Num gesto que muitos interpretam como fuga, faltou ao julgamento em que acabou condenado. Até ao momento, o seu advogado não apresentou recurso, embora o prazo legal ainda esteja a decorrer.

Os factos remontam a 18 de setembro de 2016, no final de uma festa popular na ilha de São Miguel, nos Açores. Segundo a decisão judicial, Marco Caneira terá aliciado uma jovem, conduzindo-a posteriormente para um espaço público onde ocorreram os crimes. O tribunal considerou provada a ausência de consentimento e a especial vulnerabilidade da vítima, sublinhando a gravidade do abuso de poder e confiança. (Os detalhes do crime permanecem sob reserva, por envolverem uma menor.)

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Nos bastidores, fala-se de uma família apanhada de surpresa, de um nome conhecido subitamente associado a um caso de enorme sensibilidade e de um impacto emocional profundo que se prolonga no tempo. A artista Ágata, figura pública de décadas, viu-se confrontada com uma realidade dura e impossível de ignorar, enquanto o processo seguia o seu curso longe dos holofotes — até agora.

Entre a condenação, o segredo mantido dentro de casa e a ausência em tribunal, o caso de Marco Caneira expõe uma história de queda abrupta, em que o silêncio não protegeu ninguém. O país aguarda os próximos passos processuais, enquanto a justiça mantém o foco no essencial: a responsabilização e a proteção das vítimas.