“Ela Continua Aqui Comigo”: Aos 98 Anos, Ruy de Carvalho Quebra o Silêncio, Evoca a Mulher Perdida Há 18 Anos e Confessa o Amor Que Nem a Morte Conseguiu Apagar

Ruy de Carvalho continua a subir ao palco aos 98 anos, desafiando o tempo e tornando-se um símbolo vivo de longevidade artística em todo o mundo. Mas por detrás da força que mostra em cena, há dias em que o peso da ausência fala mais alto. E este foi um deles. No dia em que se assinalaram 18 anos desde a morte da sua mulher, Ruth, o ator português fez uma publicação curta, mas devastadora, que tocou milhares de pessoas: “18 anos, meu amor. Tanto tempo sem ti.”

A frase simples esconde uma dor que nunca sarou. Ruy de Carvalho viveu um casamento de 52 anos com Ruth, depois de nove anos de namoro, numa relação que ele próprio descreve como a grande âncora da sua vida. Desde 2007, ano em que Ruth morreu aos 79 anos, o ator nunca deixou que a sua memória se apagasse. Pelo contrário: manteve-a presente em casa, nas rotinas e até nas conversas silenciosas que confessa continuar a ter com ela, como se o tempo não tivesse conseguido separar aquilo que foi construído ao longo de uma vida inteira.

Numa entrevista recente a Manuel Luís Goucha, Ruy fez revelações que surpreenderam pela frontalidade e emoção. “Eu falo com ela. Tenho-a em toda a parte em casa. Ela parece que me responde”, confessou, sem medo do julgamento. Para o ator, Ruth não partiu verdadeiramente. “Ela está à minha espera lá em cima”, disse, com uma serenidade que só quem viveu um amor profundo consegue sustentar. A frase soou menos como saudade e mais como uma promessa.

Ruy de Carvalho sobe ao palco do Teatro Ribeiro Conceição em Lamego

Ruy de Carvalho não romantiza o passado. Recorda Ruth como uma mulher forte, crítica, exigente e cúmplice. “Era uma grande companheira. Não me perdoava quando eu não estava bem. Zangava-se comigo”, contou, revelando que o amor entre os dois foi feito tanto de ternura como de confronto. Para o ator, foi essa mistura que deu solidez à relação. “O amor foi feito de muita amizade. A amizade é o símbolo do amor. Sem cumplicidade, não vale a pena casar”, afirmou, numa reflexão que soa quase como um testamento emocional.

Dezoito anos depois, Ruy de Carvalho continua a viver, a trabalhar e a emocionar plateias — mas carrega consigo um amor que nunca terminou. No palco, enfrenta aplausos. Em casa, conversa com a memória de quem foi tudo. E no coração, mantém viva a certeza que repete em silêncio: “Ainda te amo, meu amor.” Um amor que nem o tempo, nem a morte, conseguiram apagar.