Portugal Despede-se em Silêncio: Morre Luís Alberto aos 91 Anos, o Ator Que Nunca Saiu de Cena e Cuja Última Cortina Caiu de Forma Discreta, Mas Devastadora

O país acordou mais pobre no mundo da cultura. Luís Alberto, um dos nomes mais respeitados e transversais do teatro, da televisão e do cinema nacional, morreu na noite desta sexta-feira, dia 26, aos 91 anos. A notícia, confirmada esta manhã pela Casa do Artista, caiu como um choque sereno — desses que não fazem barulho, mas deixam um vazio profundo. A morte deveu-se a causas naturais, mas a ausência que deixa parece tudo menos natural para quem cresceu a vê-lo em palco, no pequeno e no grande ecrã.

A sua carreira começou cedo, quase por acaso, através de convites inesperados que acabaram por definir uma vida inteira dedicada à arte de representar. Ao longo de décadas, Luís Alberto atravessou gerações, reinventou-se, adaptou-se a linguagens diferentes e manteve sempre uma presença magnética. Na televisão, tornou-se um rosto familiar para o grande público, especialmente nas telenovelas da TVI, onde dava profundidade e humanidade a cada personagem, mesmo nos papéis mais silenciosos. No teatro, era visto como um verdadeiro pilar — um ator de palco inteiro, daqueles que impõem respeito só pela forma como entram em cena.

Em 2003, o reconhecimento atingiu um dos pontos mais altos quando recebeu o Globo de Ouro da SIC para Melhor Ator de Teatro, pela peça Copenhaga. Para muitos colegas, esse prémio foi apenas a confirmação pública de algo que o meio artístico já sabia há muito: Luís Alberto era um mestre. Nos bastidores, contam-se histórias de um profissional incansável, exigente consigo próprio, mas generoso com os mais novos — alguém que ensinava sem discursar, apenas com o exemplo.

Morreu aos 91 anos o ator português Luís Alberto - Notícias ao Minuto

A Casa do Artista, instituição que confirmou a sua morte, recordou-o com ternura como “o menino Luís”, uma expressão que contrasta com a grandeza do seu percurso, mas que reflete a humildade com que sempre viveu a profissão. “Marcou pelas inúmeras interpretações no teatro, na televisão e no cinema nacional” e foi “um exemplo de dedicação e paixão pela profissão que escolheu para a vida”, sublinhou a instituição, numa homenagem carregada de emoção.

Hoje, as luzes apagam-se um pouco mais cedo. Caiu a cortina para Luís Alberto, mas o palco não ficou vazio. Ficaram as personagens, as falas, os silêncios e a presença carismática que atravessou décadas. Um ator não morre quando parte — morre quando é esquecido. E Luís Alberto, esse, continuará em cena por muito tempo.