Da Glória dos Golos ao Silêncio das Ruínas: A Queda, o Desaparecimento e a Surpreendente Nova Vida de Jorge Cadete Que Ninguém Esperava Ver

Durante anos, o nome Jorge Cadete foi sinónimo de balizas a tremer, bancadas em delírio e camisolas históricas. Para muitos, será sempre o goleador do Sporting; para outros, o herói improvável do Celtic de Glasgow; e para uma geração mais recente, o ex-jogador que reapareceu num reality show quando a fama já parecia distante. O que quase ninguém imaginava é que, longe das luzes, Cadete viveu uma queda dura, silenciosa e quase definitiva — antes de ressurgir numa vida completamente diferente.

Após terminar a carreira aos 33 anos, depois de passagens marcantes por clubes como Sporting, Brescia e Celtic, o antigo avançado entrou num período turbulento. Os aplausos desapareceram, os contratos terminaram e as escolhas erradas acumularam-se. As dificuldades financeiras tornaram-se públicas no início dos anos 2000, quando participou no Big Brother Famosos, numa tentativa desesperada de se manter à tona. Amigos da época contam que houve momentos em que Cadete “perdeu tudo menos o nome”, vivendo longe do futebol e afastado de quem o tinha idolatrado.

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Foi precisamente nesse afastamento da fama que começou a reconstrução. Longe dos estádios, dos comentadores e das memórias do passado, Jorge Cadete terá passado anos praticamente invisível, a aprender de novo o valor do trabalho diário. Pouco a pouco, longe do glamour e das manchetes, encontrou no setor da construção e do imobiliário uma espécie de redenção pessoal. Hoje, trabalha na empresa 5floor, dedicada à renovação e comercialização de imóveis — um contraste brutal com os relvados onde fez história.

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Nas redes sociais, o antigo goleador mostra-se orgulhoso de sujar as mãos, de transformar ruínas em casas habitáveis, como se cada obra fosse também um pedaço da sua própria reconstrução. “Que satisfação que tenho por dar uma vida nova com as minhas mãos a cada imóvel em ruína que compro!”, escreveu, numa mensagem que muitos interpretaram como um desabafo tardio. Para alguns fãs, é chocante imaginar um ídolo europeu a trabalhar na construção; para outros, é a maior vitória da sua vida.

Jorge Cadete já não marca golos, mas ergue paredes. Já não levanta troféus, mas devolve vida ao que estava perdido. E talvez, no silêncio das obras e longe dos aplausos, tenha finalmente encontrado a paz que o futebol nunca lhe deu.