Este Natal não terá luzes nem celebrações para Fernando Mendes. O apresentador de O Preço Certo, rosto incontornável da RTP e sinónimo de alegria para milhões de portugueses, vive um dos momentos mais frágeis da sua vida após a morte súbita de Paulo Martins. Mais do que agente ou produtor, Paulo era o confidente, o cúmplice e o amigo que conhecia Fernando para lá das câmaras — aquele que estava presente quando o sorriso se apagava e a pressão era maior do que o público imagina. A sua partida inesperada deixou um rombo emocional tão profundo que o apresentador perdeu, por completo, o clima para festas e encontros neste final de ano.

Nos bastidores, fala-se de um Fernando Mendes visivelmente abatido, mais silencioso, com um olhar carregado de tristeza que contrasta com o humor fácil que sempre o definiu. A dor foi tamanha que o apresentador decidiu afastar-se temporariamente das câmaras, numa pausa que coincidiu com a ocupação do estúdio por outro formato da RTP — uma coincidência que muitos consideram providencial. Esse afastamento permitiu-lhe respirar fundo, longe do aplauso e da exigência diária, antes de regressar às gravações com o profissionalismo de sempre, mas já não com o mesmo brilho.

As palavras que deixou sobre Paulo Martins revelam a dimensão da perda. “Não foi um colega, nem um produtor. Foi um amigo que partiu. Foi quem partilhou comigo os bastidores da vida”, escreveu Fernando Mendes, num desabafo cru e raro. Segundo pessoas próximas, os dois partilhavam tudo: vitórias, falhas, medos e sonhos adiados. Estradas percorridas pelo país e pelo mundo, desafios aceites sem garantias, risos em camarins vazios — uma ligação construída longe dos holofotes, mas impossível de substituir.
O adeus foi marcado por uma promessa quase poética, mas dolorosa: “É hora de nos encontrarmos no silêncio dos próximos dias para nos despedirmos, com a promessa de que um dia, numa próxima vida, voltaremos a percorrer a mesma estrada.” Um Natal sem festas, um palco sem um amigo invisível e um homem que continua a fazer rir Portugal… enquanto aprende, em silêncio, a viver com a ausência.