A história de João Neves não é apenas feita de golos, títulos e estádios cheios. É uma história de dor profunda transformada em força brutal, de um jovem que cresceu depressa demais porque a vida não lhe deu escolha. Aos 21 anos, o médio português vive um conto de fadas no futebol europeu — mas esse brilho nasceu de uma das perdas mais duras que alguém pode enfrentar.

Depois de se afirmar no Benfica como uma das maiores promessas da sua geração, João Neves deu o salto para o Paris Saint-Germain e entrou diretamente para a história. Em França, calou todas as dúvidas com uma temporada absolutamente surreal: Liga Francesa, Taça de França e Liga dos Campeões conquistadas numa só época. Como se não bastasse, ainda juntou ao palmarés a Liga das Nações pela Seleção Nacional. Um currículo que muitos jogadores não constroem numa carreira inteira — João fê-lo antes dos 22.
Mas por detrás das noites de glória e dos aplausos ensurdecedores, existe um jovem marcado por um golpe emocional devastador. Em fevereiro de 2024, quando tinha apenas 19 anos, João Neves perdeu a mãe, Sara Gonçalves, com apenas 50 anos. O diagnóstico de um raro cancro no útero surgiu de forma abrupta, apenas três meses antes da morte. Houve uma cirurgia de urgência, esperança renovada por breves instantes… e depois o pior cenário: uma infeção generalizada que não deu hipótese.
A notícia caiu como um terramoto. Amigos próximos revelam que João ficou em silêncio durante dias. Treinava, jogava, sorria em público — mas por dentro estava em ruínas. A mulher que sempre o empurrou para o sonho, que o viu sair ainda criança do Algarve para Lisboa, que o acompanhou em cada passo, já não estava lá para o ver conquistar o mundo.

Mesmo assim, João Neves não parou. Pelo contrário. Pegou na dor e transformou-a em combustível. Cada jogo passou a ser jogado como se fosse uma homenagem. Cada troféu, um tributo silencioso. Cada momento de glória, uma conversa íntima com a mãe que já não podia abraçar.
A saída precoce de casa, a mudança para Lisboa ainda criança, a ida para Paris longe da família — tudo isso foi difícil. Mas nada se compara à perda que lhe rasgou o coração. Ainda assim, João escolheu seguir em frente. Escolheu não cair.
Hoje, aos 21 anos, João Neves não é apenas um prodígio do futebol europeu. É o retrato de uma geração que aprende cedo que a vida pode ser cruel — mas que também pode ser vencida. Ele joga com talento, sim. Mas joga sobretudo com alma.