A alegria fácil, o riso contagiante e a leveza que Fernando Mendes leva todas as noites aos lares portugueses foram, desta vez, silenciados por uma dor profunda. O apresentador de O Preço Certo, um dos rostos mais queridos da RTP, vive um dos momentos mais sombrios da sua vida pessoal e profissional com a perda inesperada de Paulo Martins, produtor, agente e amigo inseparável de décadas. A comunidade artística ficou em choque. Nada fazia prever o desfecho trágico.

Paulo Martins, de apenas 48 anos, morreu subitamente vítima de um problema cardíaco fulminante, num dia que começou como qualquer outro. Segundo relatos de pessoas próximas, Paulo tinha projetos em mãos, mensagens por responder e planos marcados para os dias seguintes. Em minutos, tudo se desfez. A notícia foi tornada pública pelo ator Frederico Amaral, que não escondeu o choque e a revolta perante uma perda tão abrupta. “Um grande ser humano, um grande amigo, um produtor incansável”, escreveu, numa mensagem que rapidamente se encheu de reações emocionadas.

Nos bastidores da RTP, fala-se de um Fernando Mendes profundamente abalado, incrédulo, em silêncio. Paulo Martins não era apenas um colaborador — era o homem que conhecia os nervos antes dos espetáculos, os cansaços das digressões, as inseguranças que nunca chegavam ao público. Diz-se que foi ele quem segurou Fernando em momentos difíceis, longe das câmaras, quando a pressão era maior do que o sorriso permitia mostrar. A ligação entre os dois ultrapassava o trabalho: era uma amizade construída em estradas, camarins e noites sem aplausos.
A onda de choque espalhou-se rapidamente entre atores e figuras públicas. José Raposo e muitos outros manifestaram incredulidade total perante a notícia. “Que tristíssima notícia!”, lia-se repetidamente, como se ninguém conseguisse aceitar que alguém tão presente, tão ativo, tivesse partido assim. Paulo Martins deixa um filho — detalhe que torna a perda ainda mais pesada e injusta, segundo amigos próximos.

Frederico Amaral recordou os anos de cumplicidade no teatro, as viagens pelo país e além-fronteiras, os bastidores cheios de histórias que nunca chegaram ao público. “Foste enorme”, escreveu. Hoje, os palcos continuam montados, as luzes acendem-se, mas falta uma presença invisível — aquela que garantia que tudo funcionava. A televisão portuguesa perdeu um pilar silencioso. Fernando Mendes perdeu um amigo. E o silêncio que ficou diz mais do que qualquer aplauso.